terça-feira, 25 de julho de 2017

Dicas & Truques na captação e gravação de instrumentos musicais (parte 6)

A escolha dos microfones

Os grandes estúdios profissionais têm uma vasta variedade de microfones à disposição, mas nos home studios a escolha é muito mais limitada, por isso a escolha terá de ser muito cuidadosa. O primeiro fator que terá de considerar que são muito poucos os microfones dinâmicos, capazes de manter a qualidade do violão. O Sennheiser 441 será uma boa escolha devido à sua resposta limitada. As altas-frequências são vitais para o som dos violões e, provavelmente, será melhor usar um microfone de condensador para obter os melhores resultados, já que estes são muito mais sensíveis e captam melhor as altas-frequências.

“O som da guitarra é o resultado das 
vibrações de todo o instrumento e das 
reflexões do som do ambiente acústico 
em que este se encontra inserido”

A qualidade do microfone a usar vai depender um pouco do seu orçamento. Não é que os microfones mais baratos não consigam captar o som com bons resultados, mas tenha consciência que estes modelos, que são alimentados, por vezes, por pequenas pilhas, podem ter menor sensibilidade do que aqueles que usam “phantom-power” – alguns são até mais sensíveis do que um bom microfone dinâmico.

Os puristas do som, por norma, escolhem um microfone de condensador com um pequeno diafragma, devido à sua precisão para as altas- frequências, e outro com um padrão omnidireccional, para obter um som mais transparente do que aquele capturado por um cardióide. No entanto, se fizer parte daquele grande grupo de pessoas que possui dois microfones do tipo cardióide e diafragma largo, não significa que irá ter problemas para obter bons resultados. Para começar, microfones omnidireccionais requerem uma sala de gravação com melhor acústica do que a maioria dos estúdios caseiros, por isso os cardióides obtêm melhor resultados em salas de dimensão mais pequena.

Qualquer que seja o microfone que escolha, o seu posicionamento é crucial. Num contexto de música ao vivo, é normal ver os microfones posicionados perto da fonte do som (orifício frontal) porque as considerações mais importantes são o nível e a separação do som, de modo a evitar feedback’s. Em estúdio, porém, o objetivo será captar um som mais natural possível e, por isso, estas considerações serão menos importantes. É verdade que muita da energia do som de um violão provém diretamente do orifício frontal, mas o som é preenchido pela ressonância do corpo do instrumento. Se conseguir que o seu violão produza o som correto logo na origem, não será necessário implementar efeitos e correções adicionais ao som durante a gravação.

O som do violão é o resultado das vibrações de todo o instrumento e das reflexões do som do ambiente acústico em que este se encontra inserido. Se colocar um microfone demasiado perto do instrumento, o som proveniente da parte do instrumento onde o microfone se encontra mais próximo irá dominar todos os outros e o próprio ambiente acústico – você estará assim gravando apenas uma parte do instrumento, quando, na verdade, o objetivo é captá-lo como um todo.

Por outro lado, se o seu microfone estiver posicionado muito longe da fonte, poderá ficar com muito ruído de fundo, deixando o som da guitarra distante e pouco definido. Também pode acontecer que o seu microfone registre níveis elevados de ruído, o que acontece ao aumentar o ganho, quando o microfone se encontra a uma distância considerável, e se for um modelo com pouca sensibilidade.


Agora vamos especificar o posicionamento do microfone. O método mais comum é montá-lo a 40 cm do violão direcionado para o ponto onde o braço do violão se encontra com o corpo. Este posicionamento consegue obter um som completo e preenchido. Os níveis do som direto e refletido serão (para alguns músicos) os ideais, e o som proveniente do orifício frontal será controlado, pois o microfone não está apontado diretamente para ele. Tendo à disposição fones de ouvido, você poderá facilmente ir testando o posicionamento dos microfones. Se conseguir obter o som que pretende, não se esqueça de, primeiro, o ouvir atentamente nos seus monitores, já que o som proveniente dos headphones pode ser enganador.

Geralmente, mover o microfone para o lado do braço do violão irá dar mais brilho ao som, enquanto que, se o aproximar mais do orifício o som conseguido será mais melodioso e preenchido. Afastar o microfone do violão irá aumentar a proporção do ambiente acústico, enquanto que, se o aproximar, irá “secar” o som. Se preferir o som obtido através de um posicionamento mais próximo da fonte, mas pretender que o ambiente acústico tenha mais relevo, a solução será utilizar um microfone omnidirecional ao invés de um cardióide.


Embora os tipos de posicionamento do microfone acima descritos sejam os mais utilizados, nem sempre produzem os melhores resultados. Por exemplo, se quiser obter o som que os guitarristas ouvem, então um microfone ou dois, colocados por cima do ombro do músico, ao nível da sua cabeça, irão oferecer-lhe o resultado pretendido. Se estiver a utilizar uma guitarra de maior porte, cujo som gravado pela frente se apresente demasiado “cheio” e um pouco confuso, a solução pode passar por apontar o microfone para sítios menos óbvios, como por exemplo para as superfícies refletoras ou talvez apontar para baixo da guitarra. Tais posicionamentos alternativos podem por vezes oferecer resultados brilhantes, que nenhuma teoria poderia prever.

(continua na próxima postagem)

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